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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

190 anos da INDEPENDÊNCIA DO BRASIL



Saiba mais sobre a vida e o local de criação de Hipólito José da Costa, patrono da imprensa brasileira e um dos principais propagandistas da independência do Brasil. Leia aqui o capítulo II do livro "MEMÓRIAS LEONENSES:  personagens, lugares históricos e lendas de Capão do Leão/RS": 
O esquadro pendurado no pescoço de Hipólito José da Costa em seu retrato sinaliza
sua ligação com os movimentos maçônicos (Fonte: Acervo IMAGENS HISTÓRICAS)
 A casa onde viveu Hipólito José da Costa 
Por: Bruno Farias (2009)


Este mapa do século 19 mostra a casa do



 Alferes Félix da Costa (Bragança, 1807)


"Depois da fundação das primeiras estâncias Capão do Leão deixou de ser um mero local de passagem, quando algumas famílias vindas de territórios invadidos pela Coroa Espanhola vieram se refugiar no atual território leonense. Nessas terras que foram parte de Rio Grande e também de Pelotas cresceu o patrono da imprensa brasileira, Hipólito José da Costa. Filho do alferes real Félix da Costa e nascido na Colônia de Sacramento em 1774, ele veio com a família para a região devido à invasão da cidadela portuguesa pelos espanhóis em 1777. Hipólito e sua família vieram para Capão do Leão entre 1778 e 1779. Só depois disso, em 1784, seu tio Pedro Pereira de Mesquita, o Padre Doutor, recomendou a criação de uma nova freguesia no local devido ao fato de que lá já viviam cerca de 150 famílias - solicitação que só se concretizou em 1810 após insistentes pedidos dos moradores da então São Francisco de Paula, atual Pelotas.
Outro retrato de Hipólito mostra mais claramente os
símbolos maçônicos (Fonte: IMAGENS HISTÓRICAS
Em 1792, aos 17 anos de idade, Hipólito se matriculou nas faculdades de Direito e de Filosofia da Universidade de Coimbra, em Portugal, onde se formou em 1797. No ano seguinte foi enviado para a América onde viu pessoalmente a democracia já em funcionamento e onde se filiou à maçonaria. O jovem Hipólito logo se distanciou de sua família religiosa e passou a se dedicar aos movimentos maçônicos que na época lutavam pela independência de países como o Brasil e os Estados Unidos, entre outros.
Em 1800 foi nomeado Diretor da Imprensa Régia e dois anos depois viajou para Londres em missão oficial com o objetivo de adquirir livros para a Real Biblioteca e máquinas para a Imprensa RégiaPorém hoje sabe-se que seus motivos também eram o de obter proteção com a maçonaria inglesa para as atividades das Lojas Maçônicas Portuguesas, que na época eram proibidas no território de Portugal. Hipólito acabou sendo preso pelo Santo Ofício entre 1801 e 1803 acusado de ser maçom e livre-pensador - o que depois ele mesmo declarou não ser crime segundo as leis portuguesas, mas uma proibição da própria igreja. Mas Hipólito conseguiu fugir sob a proteção de seus irmãos maçons em 1805, quando foi exilado em Londres sob a proteção do Grão-Mestre da maçonaria inglesa, o príncipe Augusto Frederico do Reino Unido, também conhecido como Duque de Sussex.
O "Correio Braziliense", produzido por Hipólito José da Costa, foi o primeiro
 jornal a circular no Brasil. O periódico era uma das principais formas de
 propaganda em prol da independência do país, sendo produzido na
 Inglaterra durante o exílio de seu autor (Da Costa, 1808)


         De acordo com Isabel Lustosa em sua reportagem “A imprensa brasileira longe da pátria”, publicada pela revista História Viva em janeiro de 2008, somente com a chegada de D. João VI em maio de 1808 é que foram permitidas as letras impressas no Brasil e uma gráfica trazida pelo próprio monarca passou a publicar em setembro do mesmo ano o semi-oficial “Gazeta do Rio de Janeiro”. Também segundo Isabel, o primeiro jornal a circular no país foi na verdade o “Correio Braziliense”, produzido por Hipólito José da Costa na Inglaterra e lançado em 1º de junho de 1808, quando o jornalismo independente ainda era proibido por aqui. Através da publicação ele defendeu, entre outras idéias, a Independência do Brasil.
Com a independência do Brasil, o "Correio Brasiliense" parou
de ser publicado (O Grito do Ipiranga - Pedro Américo 1888)

 A casa do Alferes Félix da Costa 



em um detalhe do mesmo mapa



 mostrado acima (Bragança, 1807)


A publicação só parou de ser impressa com o grito do Ipiranga, ocorrido em 1822. Depois disso Hipólito foi nomeado Cônsul do Brasil na Inglaterra, onde faleceu no dia 11 de setembro de 1823. O patrono da imprensa brasileira deixou a esposa Mary Aun Troughton, com quem se casou em 1817, e três filhos. Depois de sua morte foi homenageado ao emprestar seu nome a uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras. Mas apesar da biblioteca pública de Capão do Leão ter recebido também essa mesma denominação, a história e a importância de Hipólito José da Costa para o processo de independência do nosso país são desconhecidos para muitos moradores do município.

A sede da Estância Santa Tecla que, obviamente, foi modificada 
após a saída da família do Alferes Félix da Costa (Foto de Bruno Farias)

A estância Santa Tecla, logo no início da avenida Narciso Silva, foi o local onde viveu esse homem tão importante para a instauração da democracia em nosso país. De acordo com a escritora pelotense Zênia de Leon e com a proprietária das terras Berenice Vilela, a casa onde Hipólito José da Costa passou sua infância e adolescência, a grutinha que cobre a antiga cacimba e a pia usada pelo Padre Doutor para batizar os primeiros habitantes da localidade continuam lá e permanecem preservadas. [...]"
 - / -
Veja mais imagens da Estância Santa Tecla:

A atual Estância Santa Tecla, em Capão do Leão/RS, mesmo local onde
 morou a família de Hipólito e do Padre Doutor (Bruno Farias, 2009)
A famosa cacimba do Padre Doutor, tio de Hipólito José da Costa, que
 fornecia água aos primeiros moradores de Capão do Leão/RS  (Zênia de León)
A pia batismal na qual o Padre Doutor batizou
muitos dos primeiros imigrantes portugueses na
região de Pelotas e Capão do Leão (Zênia de León)
Antigo curral circular de terra na antiga propriedade
da família de Félix da Costa e do Padre Doutor (Bruno Farias, 2009)
Outro curral localizado nos limites da antiga propriedade, que posteriormente foi desmembrada (Bruno Farias)
Marcas de um outro curral no mesmo local, hoje coberto com eucaliptos (Bruno Farias)

2 comentários:

  1. Sr. Bruno, parabéns pelo excelente blog.
    Lendo-se a história e vendo as imagens da nossa região é que percebemos como fomos abençoados por estarmos, tanto os nativos como os "estrangeiros", digo, imigrantes, que escolheram nossa região para aqui viver e fazer seu futuro.
    Lastimável é o tratamento que sempre a Metade Sul e, principalmente, a zona sul, teve dos governantes do Rio Grande do Sul. Não é à toa que um ex-prefeito de Pelotas pregava a criação de um novo estado nesta região, e que tem adeptos até hoje.
    Creio que mais pessoas devam ler estas páginas e ver as fotos desse belo acervo.
    Um abraço.
    Nevile.

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